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A.A.A.
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Estivemos à conversa com King John a propósito da edição de "All the Good Men that Did Ever Exist".

Fenther – Quem é e de onde chega King John?
King John – KJ é António Alves, 31 anos, nascido e criado na bela ilha de S. Miguel - Açores.
Fui atleta profissional, "deckhand" num veleiro durante 2 anos, "pirata" nas horas vagas e tornei-me rock'n'roller, de há 5 anos para cá.

Fenther – O que já editaste até à data?
King John – Até à data, editei dois Ep's, uma mão cheia de singles, e agora, o meu primeiro LP.

"Eu diria que o Festival Tremor é um dos principais impulsionadores da cultura em geral nos Açores. Revolucionou por completo a forma como os açoreanos passaram a consumir arte, musica em particular."

Fenther – Como é editar um álbum nesta altura tão complicada para a música?
King John – Tenho que confessar que, salvo os devidos constrangimentos de promoção presencial, acho que tudo o resto está a correr dentro da normalidade. Eu sou um artista ainda desconhecido para maioria das pessoas e que edita o seu trabalho como "edição de autor". Para além da "pressão" que coloco sobre mim mesmo, não tenho que responder aos timings de ninguém e, de igual modo, não tenho que alcançar nenhum patamar de sucesso comercial específico. É claro que ninguém estava à espera que isto fosse acontecer e é um travão ao crescimento dos projectos, mas quero manter-me positivo e encarar esta pequena "pausa" como pretexto para evoluir ainda mais enquanto artista/produtor e ganhar balanço para apanhar o comboio dos demais artistas do mercado.

Fenther – Fala-nos um pouco sobre este "All the Good Men that Did Ever Exist".
King John – Este LP é o culminar de um processo de crescimento ao longo destes últimos cinco anos. Só durante o último ano de 2019, senti que estava preparado para embarcar na aventura de gravar um álbum completo. Criar uma narrativa e convertê-la em diferentes músicas é algo que requer tempo e paciência. Acho que não o devemos encarar de ânimo leve e devemos tentar defender o nosso trabalho da melhor forma. Dito isto, a ideia para o nome e consequente história do LP, surgiu depois de ter visto o documentário do Charles Bradley, "Soul of America". Era suposto ele ter vindo a Portugal naquele ano, mas a doença levou a melhor e ele faleceu. É uma homenagem a todos os grandes Homens e Mulheres que existiram/existem e fala também das relações entre seres humanos, do ser humano com outros seres vivos e com o nosso planeta. Falo também de experiências pessoais e da procura pelo meu "El Dorado".

"Fui atleta profissional, "deckhand" num veleiro durante 2 anos, "pirata" nas horas vagas e tornei-me rock'n'roller, de há 5 anos para cá."

Fenther – Como defines o teu som? Influências?
King John – Acho que a minha sonoridade é baseada numa miscelânea de influências. Cresci a ouvir muito jazz, por influência do meu pai. Ao mesmo tempo, havia Bob Marley, Johnny Cash, Elvis, Queen ou Hendrix. Mais tarde na minha adolescência, The Black Keys, Jack White (White Stripes), Queens of the Stone Age ou Jeff Buckley, marcaram-me. Acho que a minha base musical, cimentou-se com alguns destes artistas.

Fenther – Musica nacional... o que recomendas?
King John – Há alguns artistas açoreanos de quem gosto muito, We Sea e Sara Cruz, por exemplo. Também, músicos como o Tiago Franco ou João Freitas. Aqui em Lisboa descobri Polivalente, Grand Sun.

Fenther – E pelos Açores... Como está a vida musical? Há apoios? Locais para tocar?
King John – Acho que a vida musical nos Açores está a evoluir bem. Há cada vez mais espaço para os artistas evoluirem e isso foi possível por força de uma mão cheia de novos festivais e pela transformação na mentalidade das casas de espetáculos. Fico muito feliz ao ver que o artista açoreano ganhou espaço dentro do arquipélago e começa agora, a aventurar-se no território continental.

Fenther – O Festival Tremor veio dar um empurrão à cultura musical nos Açores?
King John – Eu diria que o Festival Tremor é um dos principais impulsionadores da cultura em geral nos Açores. Revolucionou por completo a forma como os açoreanos passaram a consumir arte, musica em particular. Deu espaço para novos projectos se apresentarem numa plataforma nunca antes vista e elevou culturas musicais até em tão completamente escondias, como por exemplo, o Hip Hop regional.

Fenther – Há planos para apresentar este álbum?
King John – Por agora, estou a tentar publicitá-lo o máximo possível através dos meios de comunicação social e redes sociais. Havia um concerto de apresentação ao vivo que teve de ser adiado e que passou para a minha página do instagram. Estamos a fazer planos numa base diária. Ainda é tudo um bocado imprevisível.

Fenther – Mensagem final?
King John – "Go to France"!

Vitor Pinto